sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

05 Feveiro 2010

Deitei-me de mansinho por debaixo do calor intenso do meu cobertor feito de sonhos. Tive medo de ficar sem nada, de perder, de me sujeitar a me sentir perdida para sempre. Gostava de poder dizer tudo aquilo que sei, tudo o que me vai dentro do peito mas que, por um motivo ou outro, eu não consigo revelar.
Levantei-me meio ensonada e nada havia perdido. Estava tudo lá de alguma forma. Os meus pés continuavam gelados como antigamente, o meu cão continuava a dormir bem enroladinho na sua almofada e o frio lá fora, quando espreitei o céu pela janela, continuava super intenso e desagradável.
Digamos que não perdi nada, não perdi ninguém mas que também não me perdi a mim. Sei que há alguém que me perdeu, que me afastou, que me ludibriou até eu voar para longe, partir em busca de algo que nunca antes tinha encontrado, de um cheiro mais suave e doce, de uma temperatura mais amena. Procurei algo que nunca encontrei e que talvez nunca irei encontrar.
Digamos que neste momento a minha vida mudou. Já nada bate certo com o meu antigamente. Talvez porque eu caminhei no meio de uma lagoa em sonhos distantes onde encontrei alguém que me fazia muito feliz. A verdade é que uma lagoa tão bonita como esta, permanece intacta no meio de uma serra bem perto do meu olhar e eu não estou inerente às perdas, nem aos choques térmicos de desilusões ocorrentes. Estou no meio de uma guerra, no matagal, onde cada um de nós se dedica a si mesmo e não aos outros.
E sim, eu sou feliz, mas à minha maneira, não à maneira de outros. Por vezes tenho vontade de voltar a trás, de correr à chuva e ficar ali, a esfriar junto dela pois, só ela tem as gotas mais puras da vida e, mesmo assim, já nada é como era dantes.
Hoje voltei ali, à lagoa onde me apaixonei. O verde e o reflexo na água maquilhada de silêncio e tranquilidade; troncos que serviram de espaldar para um momento só meu. Meu e dele porque foi lá que ele me levou e explicou que ali, seria um lugar só nosso. Uma lagoa que me surgia em sonhos e que hoje conheci, cheirei, experimentei todas as suas sensações. Uma lagoa onde me iria apaixonar; onde fui já apaixonada e onde mais uma vez me apaixonei, mas nesta nova visita bem mais real, pelo que a Natureza tem de melhor.




terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

02 Fevereiro 2010


As mudanças na vida de cada um de nós, atordoam pensamentos e ferem sentimentos tal como podem dar aquele ar de magia, tornar uma grande nuvem negra num lindo arco-íris e fazer com que o nosso percurso por essas infinitas e ilimitadas estradas, seja mais caloroso.
Enquanto uns sonham, outros vivem presos a ameaças vindas de um lugar longínquo, presos a um medo conhecido por muitos e incrivelmente temido por muitos mais ainda.
Sinceramente, não entendo como é que a morte pode ser algo tão sórdido para tantas pessoas. É um tabu que se evita mas que é inevitavelmente um componente nosso quer queiramos quer não.
Acredito e sei, que por entre as portas que se abrem e fecham no decorrer da minha vida, da tua, da nossa, muitos serão os sustos que apanharemos, os medos que nos correrão no nosso sangue e muitas serão as lágrimas que derramaremos por nosso conta e por conta de outros que nos são queridos.
Não anseio ver o futuro dos meus pés porque não tenciono caminhar a passos largos, com pressa de viver e querer, na ansiedade que amanhã já não estarei aqui. Por vezes vagueio, por outras compenetro-me em objectivos. Entre outras vezes desiludo-me e choro e grito com raiva, com paixão, com garra, sem rancor, sem mágoa mas com aquele sentimento de perda.
Sim, infelizmente, bate forte, sente-se instantaneamente aquele choque térmico que nos magoa a tempo inteiro para toda a vida ou que é parcial do qual recuperamos ao longo do tempo.
No meu caso, acho que já tive choques térmicos de ambos os tipos mas talvez isso ainda não me tivesse chegado para entender que nem sempre o coração está certo.
Não quero aprofundar até porque é assim que deve ser feito, quero sim dizer que, ao longo das margens de um rio que, para vocês é e sempre será desconhecido, há palavras que o acompanham. Nunca palavras vulgares, mas sempre complementares ao meu ser.
Sou um mundo desconhecido, conheço-me há pouco tempo. São 23:30h e já com um ar pesado pelo dia e pela emoção de cada vivência do mesmo, arrasto-me até à fria cama nesta noite de Inverno onde um ser se juntará a mim. Ele é indefinido, pouco perspicaz mas foi o ser que escolhi para comigo partilhar uma série de aventuras e uma série de palavras que nunca nos deixarão sob o olhar atento da realidade.
Mais tarde, talvez amanhã, o mundo saberá mais ...